A fotografia como amparo à quarentena

Com o tema “Quarentena: um documentário sobre o isolamento social”, alunos do curso de Fotografia da Universidade Positivo registraram suas percepções do cotidiano em imagens sensíveis. Alguns buscaram a luz do sol para preencher seu dia, enquanto outros, espaços vazios e detalhes que não eram vistos.

O projeto surgiu dentro da disciplina de Produção de Projetos Fotográficos Especiais, sob orientação do professor Emmanuel Alencar Furtado, tendo como desafio a captação do isolamento social. Para isso, os alunos tinham que seguir as diretrizes para um projeto documental:

  1. Pesquisa
  2. Hipótese inicial
  3. Captação exploratória
  4. Análise da primeira visualização
  5. Captação
  6. Roteiro
  7. Edição
  8. Tratamento
  9. Publicação

O projeto compõe a fase de experimentos para a exposição que será realizada no final do semestre, que terá como tema “Angústia”. Esse assunto será estudado pelos futuros fotógrafos, com o auxílio do psicanalista e professor da Universidade Positivo, Rejinaldo José Chiaradia.

“Essa fase de experimentos é parte importante dentro da produção de projetos fotográficos que tenham como objetivo uma exposição. Os alunos precisam vivenciar todo esse caminho para que no futuro compreendam como se planeja uma exposição individual ou coletiva, bem como a interdependência entre o trabalho do fotógrafo e do produtor de tal evento”, afirma o professor Emmanuel Alencar Furtado.

Além do conhecimento acadêmico, fotografar no momento de isolamento social, tendo a   angústia como pano de fundo, segundo o professor, foi intenso e comovente. Nas apresentações, todos se emocionaram ao ver os trabalhos dos colegas sendo apresentados. “Os alunos comentaram que realizar esse trabalho acadêmico era tão bom quanto um processo terapêutico, pois a conversa com o interior de cada um foi intensa e verdadeira”, explica Emmanuel.

Após todo esse processo, cada aluno escolheu uma foto para a publicação e escreveu (ou não) o que desejava e sentia sobre a imagem escolhida.

Confira o resultado desse trabalho:

Logo pela manhã

Acredito que uma das coisas que eu estou mais sentindo falta é o contato com o sol. Sempre fui muito ligada a ele. Sinto que, sem ficar na luz do sol, meus cabelos já não serão tão dourados assim. Talvez, minha pele fique muito pálida. Acho que não vou querer levantar da cama ou olhar pela janela. Queria estar para fora, mas estou parada dentro. Por isso, estou em uma busca pelo sol. Busco cada fresta, cada reflexo do sol.

Fotógrafa: Maria Julia Cardoso Tohme (Instagram: @majutohme_).

Espaços vazios, retornos indefinidos

Para muitos de nós, esse tempo de pandemia e isolamento social se faz necessário. Mas, na realidade, o que falta é o contato, a conversa do dia a dia, o abraço apertado, aquele cafezinho na lanchonete com colegas de trabalho, é o que nos mantém vivos e presentes na vida dos que amamos. A melancolia e a angústia têm tomado conta de nossas vidas e os espaços muitas vezes por nós frequentados, tornam-se cada vez mais vazios e distantes da nossa realidade. Mas essa não é a história que escrevemos para nossas vidas, e com certeza iremos apagar esse capítulo negro do nosso livro. Esse retorno indefinido está por um fio e com certeza vamos continuar reescrevendo dias melhores em nossas vidas.

Fotógrafo: Luiz Arnaldo de Lima (Instagram: @alemao_lal).

Eu não quero mais te ver (“A casa assombrada”)

 

Eu nunca me vi assim. ‘Fantasma’.
Minha casa me vê assim por anos.
Me conhece pelos meus reflexos, sombras e desfoques. E mesmo assim, a qualquer hora, me recebe. Agora, ela não tem mais escolha, muito menos eu. E então, de quem é esse vulto?
É meu. Eu nunca me vi assim.
‘Fantasma’.

Fotógrafa: Olivia Yells (Instagram: @oliviayells)

Paredes em branco

O projeto ‘Paredes em Branco’ ilustra minha quarentena durante uma mudança recente. Sem muitos móveis, o apartamento fica vazio e sem cor e esta fotografia representa muito bem essa ideia.

Fotógrafo: Kevin Agostinho (Instagram: @kevinagostinho)

Memórias

O isolamento faz com que as pessoas tenham sentimentos mais fortes e pensem mais. Nessa foto, minha irmã estava conectando o celular na caixinha para escutar algumas músicas. Depois de um tempo começa a tocar uma música da formatura dela, ela acaba se lembrando das memórias boas e dos amigos que ela cultivou e se emociona.

Fotógrafo: Gabu (Gabriel Vasco)

 

A cortina (Modos de ver)

Às vezes, não paramos para perceber, na correria do dia a dia, as coisas que nos rodeiam todos os dias. Não olhamos as pequenas fissuras, os pequenos furos, os pequenos rasgos, os pequenos detalhes. Ao se deparar com essa foto, analisando-a e tentando entender, nos deparamos com uma perda de tempo olhando apenas para uma cortina comum, mas que nela encontram-se novas descobertas e sensações, antes não vistas.

Fotógrafa: Mariana Domingues

Saudade

  Fotógrafa: Victória Garrido